Construtivismo em cheque?

Na edição lançada no último mês de maio da revista Veja, foi publicada uma matéria com a proposta de criticar a teoria construtivista como principal abordagem de ensino da educação brasileira. A matéria tem causado diferentes reações naqueles envolvidos com educação e psicologia da aprendizagem, que vão da simpatia à repulsa. A matéria pode ser acessada no link http://veja.abril.com.br/120510/salto-no-escuro-p-118.shtml.

Apesar de defender algumas críticas pertinentes - como a dificuldade que nosso sistema de ensino em compreender e colocar em prática os pressupostos construtivistas, ou o fato de que os países desenvolvidos terem abandonado esta teoria em seus sistemas educacionais - a matéria possui erros conceituais importantes, que não podem passar desapercebidos por psicólogos, educadores, sociólogos, filósofos ou qualquer outro profissional comprometido com os processos psicológicos e educacionais da aprendizagem.

O Prof. Dr. Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da USP e renomado estudioso da teoria de J. Piaget, enviou uma réplica à Veja, que foi publicada no blog Românticos Conspiradores. A carta do Prof. Lino pode ser acessada no link http://romanticos-conspiradores.ning.com/profiles/blogs/veja-x-construtivismo-por-que.

Convido nosso leitor a expressar sua opinião na sessão de comentários.

9 comentários:

  1. Nossa, adorei mas realmente é muito dificil a aplicação de deteminado modelo, e como visto no texto proposto pelo Caio em sala de aula sobre a dialética entre construtivismo e associacionismo do Pozo é dificil tomar um unico partido por cada um se adaptar melhor a determinadas demandas singulares. (otimo adorei)

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  3. Olha, se vcs olharem no blog do prof. Lino vcs encontrarão a observação (nos comentários) de Carmen Lucia Nagel Bragança. Estou com ela em cada palavra e cada vírgula.

    Alguns pontos meus:
    1 - Se o tal do professor é tão bom assim, porque ele não explica no que a Veja errou? Só assim ele realmente contribuiria para a evolução da discussão.
    2 - A Veja pode estar sendo totalmente parcial, isso significa que ela não reflete a realidade? Isso significa que não é desse jeito que as coisas são feitas nas escolas? Porque uma coisa é o que a teoria diz, outra coisa é o que acontece dentro da sala de aula, né? Nesse caso, quem é o alienado? O professor ou a Veja?
    3 - Já falei 1000 vezes e repito: o meio acadêmico sofre de um distanciamento crônico com a realidade aqui no Brasil.
    4 - Em relação à discussão no blog do professor: O pessoal transformou um tema que era um ponto de vista, um questionamento sobre como está a realidade da educação brasileira em um fórum de discussão sobre pontos de vista políticos Veja X o povo, que, na minha opinião não agrega absolutamente nada. Se o pessoal está disposto a melhorar, é bom que eles estejam dispostos a se despirem de preconceitos para questionar os dois lados conjuntamente e buscar uma alternativa melhor e, mais importante, prática.

    Adorei o post!

    Abraço,

    Edu

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  4. Olá pessoal!
    Bem, eu como aspirante a psicóloga e nova-amante da psicologia da aprendizagem, acredito hoje ainda mais que a (boa) educação é um dos caminhos para a evolução do Brasil (não digo ‘do mundo’ porque a reportagem é sobre o ensino brasileiro).
    Acredito que o problema da reportagem veiculada pela revista Veja não esteja no fato dela criticar a teoria construtivista (afinal de contas todos podem ter uma opinião própria, certo?), mas no fato dela fazê-lo afirmando conceitos que não condizem com aquilo que estudamos em sala de aula ou lemos em textos teóricos baseados em dados históricos e científicos. Compreensível, portanto, a indignação do professor Lino de Macedo, titular do Instituto de Psicologia da USP que faz pesquisas a respeito da teoria em questão desde 1968 (!).
    No entanto, e esta é apenas minha opinião, cancelar o contrato de assinatura com a revista me parece uma postura um tanto quanto radical, pois é natural, e até mesmo esperado, que haja ‘equívocos’ em reportagens transmitidas pela mídia.
    Além do mais, se todos se revoltarem como o professor Lino de Macedo e se absterem de tomar conhecimento das ‘bobagens’ publicadas/informadas pelos meios de comunicação, não haverá quem demonstre aos leigos (muitas vezes nós mesmos) que não se pode acreditar em tudo que é dito por aí, por mais que pareça ser verdade!
    Essa discussão dá pano pra manga!!!

    Abraços a todos, Lizah.

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  5. Lizah,

    Concordo plenamente. Inclusive, existe o ombudsman da Veja justamente para que os erros em eventuais reportagens sejam retornados à edição para que, na edição seguinte eles sejam devolvidos, seja na forma de errata, seja na Carta ao Leitor.

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  6. Depois de ler os comentários de vcs, reli o texto da Veja e do Prof. Lino para reformular minha opinião. Concordo que é importante termos diferentes pontos de vista como reforça a blogueira que o Edu mencionou. No entanto é preciso criticar com embasamento, o que a Veja não fez. Neste ponto eu concordo com o prof. Lino, quando ele afirma que a reportagem é tendenciosa. Ela chega a ser agressiva, ao atacar os profissionais da educação e alguns princípios construtivistas.
    Acho que a reportagem representa muito a maneira como o construtivismo na educação está sendo visto pelas pessoas, e ela reforça essa tendência. Para muita gente o construtivismo é o grande vilão da educação brasileira, o que não é verdade. Porém, não podemos negar que a mal formação teórica de muitos profissionais da educação tem como consequência a existência de práticas desorientadas. Por outro lado, existe um grande número de profissionais bem qualificados e resultados de pesquisas que demonstram que nossa aprendizagem ocorre por construção, vide Piaget, Vygotsky e principalmente - neste caso- Emília Ferreiro. Esta última autora é a que mais aproxima a teoria construtivista da ação pedagógica, e em nenhum momento defende que os fonemas não são importantes no processo de alfabetização, ou que os conceitos não podem ser definidos. A matéria da Veja confunde conceitualmente a abordagem atual com a tradicional. O que não deixa de representar um pouco a realidade de muitas escolas.
    Enfim, acho que também supervalorizamos os métodos e teorias para ensinar. O pesquisador J. I. Pozo apresenta uma reflexão interessante: as disciplinas da escola que representavam dificuldades para os alunos há 50 anos atrás são as mesmas que representam dificuldades para os alunos de hoje. Será que a abordagem tradicional é tão superior assim?

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  7. Talvez a grande verdade seja que o próprio sistema de ensino público possui uma forma de qualificação do corpo docente adequada para aplicar corretamente as teorias que são usadas, ou até pior: não possua uma abordagem suficientemente clara.

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  8. Eu gosto do perfil de uma comunidade no orkut que tem um jegue lendo a Revista Veja. Está escrito assim: "Leu na Veja? Azar o seu!". rs Revista Veja é dumal, Revista Veja With Lasers!!!

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